sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Schincariol agita o mercado de bebidas no Brasil e deflagra uma briga familiar de consequências imprevisíveis


Quando o imigrante italiano Primo Schincariol resolveu fabricar bebidas no quintal da própria casa, em 1939, certamente não imaginava estar inscrevendo o sobrenome da família na história empresarial do País. Também não poderia prever que, sete décadas depois, esse mesmo sobrenome teria destaque tanto nas reportagens de negócios quanto nas páginas de assuntos judiciais. Sob o comando da terceira geração familiar, o grupo Schincariol começou a escrever mais um capítulo de sua tumultuada história. Os protagonistas agora são os netos de Primo, os irmãos Adriano e Alexandre, de um lado, e os irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Júnior, do outro. No centro da questão está a venda de 50,45% de participação na Schincariol – um conglomerado que emprega dez mil funcionários, possui 13 fábricas e faturou R$ 5,7 bilhões no ano passado – que Adriano e Alexandre detêm sob a holding batizada com as primeiras letras do nome dos dois, a AleAdri. O problema é que o outro ramo da família, abrigado na holding Jadangil, que controla os 49,55% restantes, recorreu à Justiça e conseguiu suspender o negócio, com um pedido de ação cautelar.

A principal alegação dos minoritários é que, pelo estatuto da companhia, eles têm preferência de compra, caso a outra parte resolva sair do negócio. “Não fomos consultados em momento algum”, disse Gilberto Schincariol Júnior, em entrevista exclusiva à DINHEIRO (leia mais abaixo). Conforme antecipou o site da DINHEIRO, na noite de quinta-feira 4, a juíza Juliana Morais Bicudo, da 1ª Vara Civil de Itu, sede da companhia, acatou o pedido dos minoritários e mandou suspender o negócio. Ela também estabeleceu multa de R$ 100 mil para cada ato que desrespeite essa determinação, exigiu a apresentação dos livros contábeis e fiscais e determinou que a Junta Comercial de São Paulo não faça qualquer registro relativo ao negócio. A juíza só não aceitou o pedido de busca e apreensão dos documentos da Schincariol.

Alexandre e Adriano vão recorrer da decisão para tentar manter o negócio que surpreendeu o mercado: pelos valores envolvidos, pela identidade do comprador e pela rapidez com que a transação foi fechada. Há pelo menos dois anos, Adriano Schincariol, presidente do grupo, vem manifestando interesse em vender a empresa. A pessoas próximas, o empresário alegava não acreditar que o modelo de negócios da Schincariol, estritamente familiar e sem fontes externas de financiamento, fosse capaz de enfrentar os titãs do mercado cervejeiro de igual para igual. Por titãs, entenda-se a Anheuser-Busch InBev, a gigante belga que produziu 35,8 bilhões de litros de cerveja e faturou US$ 36,6 bilhões em 2010 e no Brasil é dona da Ambev, líder do mercado nacional com participação de 69% com as marcas Skol, Brahma e Antarctica. 
 
Não faltaram candidatos para ficar com o passe da Schincariol quando Adriano assumiu publicamente que sua parte e de seu irmão Alexandre estava à venda. Desde o início deste ano, executivos dos grupos britânicos SABMiller e Diageo, da dinamarquesa Calsberg e da holandesa Heineken debruçaram-se sobre os números da cervejaria brasileira. Pura perda de tempo. Embora atrasados em relação aos concorrentes, os japoneses do grupo Kirin, que só entraram na disputa dois meses depois de iniciado o processo, reverteram a lentidão inicial e, de forma fulminante, fecharam o negócio por R$ 3,95 bilhões. E foi aí que começaram as surpresas. Em momento nenhum o Kirin, um grupo que produz de cervejas a medicamentos fora apontado como sério candidato à sócio da Schincariol. 
 
Esse papel foi ocupado, durante todo o tempo, pela Heineken, para quem a empresa de Itu representava a rede de distribuição que a holandesa não tem, um portfólio de produtos do qual também carece e uma participação de mercado que está longe de possuir no País. 
A segunda surpresa foram os quase R$ 4 bilhões desembolsados pelos ágeis japoneses, preço considerado bastante elevado quando se leva em conta a capacidade de geração de caixa da empresa. No caso da Schincariol, esse índice ficou em 17 vezes o lucro antes do pagamento de impostos, juros e depreciação (Ebitda). Não é regra, mas é praxe do mercado de fusões e aquisições fixar o preço em nove ou dez vezes o Ebitda. Marco Gonçalves, sócio do banco BTG Pactual, que assessorou Adriano e Alexandre na venda, diz que o que pesou em favor do grupo Kirin foi uma cláusula no contrato na base do “assine e pague”.
“E eles já pagaram”, disse Gonçalves à DINHEIRO na quarta-feira 3, na sede paulista do BTG Pactual. Segundo ele, naquele mesmo dia, o cheque assinado pelo CEO da cervejaria japonesa, Hirotake Kobayashi,  no valor total da operação, estava depositado na conta da AleAdri. A despeito da suspensão do negócio pela Justiça, Gonçalves diz que nada muda para seus clientes Adriano e Alexandre. Primeiro, afirma ele, porque os primos José Augusto, Daniela e Gilberto Júnior não têm capital para exercer a opção de compra. Segundo, porque os representantes da Kirin estavam cientes de que poderia haver esse tipo de desdobramento e, mesmo assim, decidiram ir em frente. Em outras palavras, o que Gonçalves quer dizer é “estamos preparados” para a batalha. 
 
O primeiro capítulo da nova novela das fusões e aquisições no Brasil começou na segunda-feira 1o, mas parece longe do fim. Mais que isso, a briga envolvendo os primos Schincariol é só mais um capítulo na tumultuada vida empresarial e familiar do grupo que já teve assassinato, prisão sob acusação de evasão fiscal, contratações milionárias e demissões de altos executivos. A primeira tragédia aconteceu em 2003, quando Nélson Schincariol, filho mais velho do patriarca Primo e pai de Adriano e Alexandre, foi assassinado na porta de casa , em Itu, ao reagir a uma tentativa de assalto. Até então, ele e o irmão Gilberto, dividiam o controle da companhia com 50% das ações cada um. 
Segundo o que foi detalhado no pedido de ação cautelar, Nelson teria subtraído 0,5% da participação de Gilberto que, na base da confiança, teria assinado essa transferência, sem se dar conta do que estava assinando. As relações entre os dois lados da família azedaram a partir daí. Com a morte precoce do empresário, aos 60 anos de idade, o comando da companhia foi assumido inicialmente por um colegiado de executivos. Alguns meses depois, Adriano foi indicado presidente – com a concordância do tio, Gilberto. Apesar da tragédia familiar, a companhia prosperou. Uma prosperidade que chamaria a atenção da concorrência. Em menos de dois anos, a Schincariol passou de uma pequena indústria regional de cervejas, mais conhecida pelo pouco apreço ao pagamento de tributos, para uma companhia de porte, com uma participação de mercado nada desprezível, na casa dos 9%. 
 
Em 2005, dez diretores do grupo, incluindo Gilberto pai, Gilberto filho e Adriano Schincariol, foram arrastados para a prisão numa operação conjunta entre Polícia Federal e a Receita. Batizada de Operação Cevada, a ação acusava a companhia de Itu de sonegar R$ 1 bilhão, no período de quatro anos, evasão de divisas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Os Schincariol e mais sete executivos da empresa passaram dez dias presos na Polícia Federal, em São Paulo. Combalida pelos descaminhos dentro e fora de seus portões, a companhia começou a acusar o golpe e sua participação de mercado foi minguando até que Adriano resolveu profissionalizar para valer a empresa. Contratou, a peso de ouro, renomados profissionais de mercado, como Fernando Terni, que havia havia presidido empresas como a Nokia e a Intelig. 
Terni, que recebia uma remuneração anual de R$ 3 milhões, não conseguiu recuperar a empresa e Adriano voltou ao comando. Gilberto Júnior, passou a vice-presidente comercial – cargo que ocupa até hoje. A dupla recolocou a companhia nos trilhos. Investiu pesado em marketing – só no carnaval deste ano pagou cachê de R$ 1 milhão à cantora Sandy para promover a marca Devassa – e registra 11% de participação de mercado. O trabalho em conjunto de Adriano e Gilberto Júnior, porém, não deve ser interpretado como resultado da sintonia fina entre ambos. “Nos damos muito bem das 7h42 às 18 horas”, disse Gilberto Jr. “Fora isso, é uma relação civilizada.” Procurado pela DINHEIRO, Adriano preferiu não dar entrevista. 
 
A convivência entre os primos resume-se ao dia a dia na companhia. Agora, nem isso, embora Adriano tenha sugerido aos novos sócios o nome de Gilberto Júnior para sucedê-lo no comando da Schincariol daqui a um ano. Na semana em que anunciaram a compra do controle da companhia, os japoneses bem que se esforçaram para ter o jovem vice-presidente como parceiro. Mas Gilberto Jr., que tem apenas 27 anos de idade, se recusou a receber os novos sócios. “Nem ele nem os irmãos têm capital suficiente para comprar a companhia”, diz uma fonte. A entrada da Kirin, ao contrário, pode dar o fôlego necessário. Isso se seu samurai de plantão, Adriano Schin-cariol, conseguir vencer a queda de braço com o outro lado do clã nos tribunais.
 

 

Cervejaria Inglesa Fuller’s agora está presente no Brasil


A Cervejaria Inglesa Fuller’s, uma das mais respeitadas no mundo, agora está presente no Brasil com dois estilos de cerveja em barril.
Dois rótulos já conhecidos pelos cervejeiros e especialistas, chegam com uma nova roupagem, em barris de 50 litros: London Pride e Honey Dew trazem seus sabores em barril.
A London Pride é uma cerveja tipo Ale Premium Clássica, conhecida como a marca Premium número um do Reino Unido, apresenta um sabor complexo e suave. Possui uma base de malte diferenciada complementada por um rico balanço com sabores de lúpulo das variedades Target, Challenger e Northdown na fermentação.

É bastante encorpada e oferece um saboroso tom de frutas com 4,7% de teor alcoólico
A Cerveja Orgânica Honey Dew é produzida com lúpulo selvagem e cevada cultivada em fazendas orgânicas que não usam pesticidas químicos ou fertilizantes. Sua composição leva mel orgânico fino com maltes e lúpulos ingleses em 5% de teor alcoólico. Possui leve toque de doçura, apresenta cor dourada e deixa sensação de refrescância no paladar, devido ao orvalho do mel.

Disponível no Gastropub O’Malley’s e no Melograno. [www.boxerdobrasil.com.br].

Cervejaria belga tenta crescer sem perder o sabor


A Duvel Moortgat SA quer ser uma daquelas raras grandes cervejarias que também produz bebidas para o paladar refinado. Para o deleite dos acionistas, o crescimento da cervejaria belga ultrapassou largamente o dos concorrentes nos lentos mercados de cerveja da Europa Ocidental. As vendas dobraram nos últimos cinco anos. Ela é agora a segundo maior cervejaria da Bélgica em termos de receitas, depois da líder mundial Anheuser-Busch InBev SA.
E, na maioria das vezes, ela manteve a reputação entre os amantes de cerveja, apesar de alguns nos Países Baixos questionarem agora se o seu tamanho diluiu a magia das cervejas que portam seu nome, como a Duvel, uma cerveja dourada, do tipo ale, seca e frutada, também vendida nos Estados Unidos.
A Duvel fechou mais um saboroso ano em 2010, aumentando o lucro líquido de 14,9 milhões de euros para 18,9 milhões de euros (US$ 27,5 milhões). O preço das ações subiu de 16 euros em 2003 para cerca de 74 euros. A receita, de 137,3 milhões de euros no ano passado, deve crescer para 172,1 milhões de euros em 2012, segundo analistas.
"É o tipo de empresa onde é difícil encontrar defeitos", diz Kris Kippers, analista da Petercam, um banco privado com sede em Bruxelas. "Mas talvez as pessoas tenham ficado tão animadas que o preço das ações subiu demais".
Kippers e outros analistas mencionam a Boston Beer Co., que fabrica a Sam Adams, como uma cervejaria comparável nos EUA e um modelo para a Duvel. A Boston Beer lucrou US$ 50,1 milhões no ano passado com vendas de US$ 464 milhões.
Ambas partilham de uma fórmula semelhante: preços altos, cervejas saborosas, marketing criativo e ênfase rara em ir atrás dos consumidores na Europa Ocidental e nos EUA, enquanto os concorrentes buscam crescimento na Ásia, Rússia e América Latina.
O Ocidente tornou-se um mercado desafiador para fabricantes de cerveja, com uma população que envelhece e bebe menos cerveja. A AB InBev informou que seu volume total caiu 2,5% na Europa Ocidental e 0,9% na Europa Central e Oriental em 2011. Já a Duvel expandiu as vendas na Bélgica em 24%, na Holanda, 17% e, na França, em 10%.

Qual é o segredo? "Nós nos tornamos um luxo acessível para os consumidores daqui", disse o diretor operacional, Daniel Krug. "Nosso foco são os mercados maduros. Para nós, a China não é obrigatória. Queremos apelar às pessoas que estão bebendo cerveja normal e querem beber algo um pouco melhor."
A Duvel é uma cervejaria à moda antiga, fundada pela família Moortgat em 1871 em Breendonck, uma pequena aldeia flamenga ao norte de Bruxelas. A família ainda é dona de três quartos das ações e já se recusou a vender.
Na década de 1920, a Duvel desenvolveu a sua cerveja mais famosa, inicialmente chamada Victory Ale em comemoração ao fim da Primeira Guerra Mundial. Segundo a lenda da empresa, um sapateiro local observou que ela tinha o "gostinho do diabo". Hoje, a suave cerveja responde por cerca de 55% do faturamento da empresa.

A Duvel andou a passos lentos até os anos 1990, quando uma nova geração da família decidiu transformar o negócio em uma empresa mais moderna. Em 1999, uma nova geração de líderes na família, encabeçada pelo CEO Michel Moortgat, partiu para a Bolsa de Bruxelas. Moortgaat, que ainda está no comando, contratou vários talentos de marketing da Anheuser, incluindo o atual diretor de marketing, Johan Van Dyck.
No comando de Van Dyck, Duvel aumentou as vendas e ganhou prêmios pela construção de sua imagem e marca. Sua propaganda mais famosa propaganda é uma grande foto de sua distintiva taça cheia até a borda com cerveja dourada. "Dizemos que a taça é uma ferramenta", diz Krug. "Você tem que beber o Duvel com aquela taça."
A Duvel também pintou tambores de concreto com a aparência externa de uma garrafa de Vedett, uma de suas cervejas to tipo lager. "Elas vendem bem, e os conhecedores do assunto gostam de suas cervejas e além do mais ela também é uma grande empresa", disse Joris Pattyn, autor do livro "100 Cervejas Belgas Para Você Provar Antes de Morrer".

A marca atraente e o sabor característico "significa que eles podem ficar livres de cobrar preços mais altos", diz Kippers. No Delirium, o maior e mais conhecido bar de cerveja de Bruxelas, o barman disse que, na maioria das noites, a Duvel é uma das dez cervejas mais vendidas. E o poder de precificação é aparente. Uma taça custa 3,35 euros, em comparação a 2 euros para uma cerveja lager do tipo draft. "Eles são muito bons de marketing e os turistas a reconhecem através das placas espalhadas por Bruxelas", disse Thibault Cordonnier, um dos barmans do Delirium. "Além disso, as pessoas gostam do nome, que significa Diabo. Temos outra cerveja, chamada Lúcifer, que vende muito bem."
Mas o entusiasmo não é totalmente unânime. "Se alguém nos pede uma recomendação, vamos sugerir algo de uma pequena cervejaria, mais artesanal", diz Cordonnier. "Os barmans daqui, que são todos especialistas, realmente não bebem mais Duvel. Achamos que ela é apenas ligeiramente melhor do que uma Stella Artois". A Stella Artois é uma das marcas de cerveja da AB InBev mais vendidas no mundo.
Ainda assim, o desempenho robusto das vendas fez com que a Duvel crescesse para 565 funcionários e expandisse através de aquisições. Ela agora possui seis fábricas de cerveja, quatro na Bélgica, uma na República Checa e uma nos EUA.
A Duvel comprou a cervejaria Ommegang em Cooperstown, no Estado de Nova York, em 2003. "Nos EUA, as pessoas estão despertando para a cerveja artesanal", diz Van Dyck, o diretor de marketing. No ano passado, a Duvel lançou a Duvel Triple Hop nos EUA, onde suas vendas cresceram 38,92% no ano passado.
No ano passado, a Duvel comprou De Konninck, uma cervejaria belga tradicional sediada na Antuérpia. Ela já aumentou sua produção anual na fábrica de cerveja, que tem 90 funcionários, cerca de 50%.
No entanto, quando se trata de ser engolida, a empresa não está interessada. "Somos uma cervejaria atraente para outras empresas", disse Krug. "Mas não estamos à venda."
 Fonte: WSJ

Cerveja palestiniana investe no mercado global


Cansados das dificuldades impostas por estarem sediados nos territórios ocupados, os administradores da única cervejaria palestiniana, a Taybeh, decidiram expandir os horizontes. A cerveja já pode ser encontrada em metrópoles como Jerusalém, Londres e Tóquio.
Jerusalém fica a apenas meia hora de carro, mas para chegar até lá é preciso passar por ruas controladas e um posto militar israelita.
Por isso, atrasos são rotina e levaram o co-fundador da cervejaria, Nadim Khoury, a licenciar fábricas na Alemanha e na Bélgica para a produção da sua cerveja.
A ideia é fazer a mesma coisa em Boston, nos Estados Unidos.
O governo israelita diz ter retirado diversas barreiras e postos de controlo nas ruas para facilitar o tráfego de bens.

Cerveja norte-americana será fabricada e distribuída em solo nacional


A Ambev traz para o Brasil a marca Budweiser. A cerveja, apelidada pelos norte-americanos apenas de Bud, é uma das principais apostas da empresa para 2011 e será fabricada em solo nacional. A ideia é posicionar o produto no país entre os segmentos mainstream e premium, concorrendo com marcas como Heineken.

Apesar de não se pronunciar sobre o assunto, a expectativa da Ambev é que Budweiser seja lançada ainda no segundo semestre deste ano, entre outubro e novembro. Há ainda a possibilidade de que a cerveja seja a patrocinadora dos shows que a cantora Riahana fará em São Paulo, Minas Gerais e Brasília, em setembro.

A marca está presente nos Estados Unidos desde 1876 e é lembrada pela inovação. A Budweiser foi, por exemplo, a primeira a desenvolver embalagens de lata no mercado norte-americano, impulsionando o consumo da bebida entre os consumidores.

"Não identificamos uma ameaça à AmBev a partir da entrada da Kirin"


Os executivos da AmBev, que controlam 70% do mercado brasileiro de cerveja, provavelmente não perderam o sono na segunda-feira, quando o grupo japonês Kirin anunciou a aquisição do controle acionário da Schincariol. Pelo contrário. Os executivos da controladora da Brahma, Skol, Antarctica, Stela Artois e Bohemia, entre outras marcas de cerveja, têm pelo menos três motivos para dormir bem à noite.
O primeiro deles foi o elevado preço pago japoneses pela Schincariol. O cheque assinado pela Kirin valoriza indiretamente a AmBev, mostrando que os estrangeiros veem potencial de crescimento no consumo de cerveja pelos brasileiros.
“Os múltiplos elevados (pagos pela Schincariol) são claramente uma sinalização de confiança no crescimento do mercado brasileiro”, escreve o analista de investimento Felipe Miranda, da Empiricus, em relatório sobre a AmBev. Segundo ele, o valor desembolsado pela Kirin contraria os argumentos de que as ações da AmBev já estariam muito caras.

A Kirin pagou o equivalente a 17 vezes a geração anual de caixa da Schincariol, medida pelo Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização). Segundo Miranda, os japoneses compraram a Lion Natham por um preço mais baixo: 12,2 vezes o Ebitda. E a Heineken pagou 11 vezes o Ebtida pela Femsa.


O segundo ponto a favor da AmBev é que, estrategicamente, a chegada de um novo concorrente não altera o jogo de forças. “Não identificamos uma ameaça à AmBev a partir da entrada da Kirin. Dada a presença antiga da família Schincariol, não suporíamos que a alteração para o controle japonês implicaria restrições aos 70% de participação da AmBev”, afirma o analista da Empiricus.
O jornal inglês Financial Times, em um artigo sobre a aquisição da Schincariol, afirma que um dos pontos fracos é justamente a ausência de sinergias para a Kirin. A cervejaria japonesa não possui outras operações na América Latina.

Em terceiro lugar na lista de boas notícias para a AmBev estão as desavenças entre os herdeiros da Schincariol. Conflitos societários nunca fazem bem às empresas, consumindo tempo dos executivos e trazendo incertezas aos funcionários. E faz parte do jogo que os competidores tirem proveito desses
momentos de fragilidade para ganhar mercado.
A Kirin comprou a Aleardi, dos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol, que possuíam 50,45% do capital da Schincariol. A outra ala da família, que detém 49,55% das ações da empresa, alega que teria direito de preferência na aquisição das ações, o que não foi respeitado.

Os advogados alegam, porém, que esse direito não se aplica, já que a empresa que foi vendida foi a Aleadri. A Kirin não comprou as ações da Schincariol diretamente.
Reunidos na empresa Jadangil, os irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol entraram na Justiça para impedir a venda do controle da cervejaria para a Kirin.


Segundo o jornal Financial Times, A Kirin afirmou que está confiante de que não irá enfrentar problemas para aquisição do controle acionário da Schincariol, “Nós fomos adiante após consultar os advogados locais e acreditamos que não haverá problemas (com o acordo)”, afirmou a companhia.
“Não temos absolutamente nenhuma intenção de brigar. Queremos construir um diálogo amigável (com os acionistas minoritários)”, disse companhia, segundo o jornal inglês.

SABMiller vem se concentrando no mercado latino-americano


A SABMiller, fabricante das cervejas Grolsch e Peroni, informou que sua unidade latino-americana vai vender mais que o planejado nos próximos três a cinco anos, pois está se concentrando em cervejas mais acessíveis.
A companhia prevê um crescimento do volume de vendas na região de 5% a 8%, ante previsão anterior de 4% a 6%, segundo o presidente da SABMiller para a América Latina, Karl Lippert. A receita por hectolitro deverá aumentar até 4%, ante previsão anterior de até 5,5%.

A SABMiller está se concentrando em uma estratégia de acessibilidade, uma vez que 56% dos latino-americanos têm rende igual ou menor que o salário mínimo, disse Lipper. Os preços da cerveja nesses países são muito altos, quando comparados historicamente com os preços praticados no resto do mundo, afirmou Lipper. Estamos buscando oportunidades para a democratização da cerveja.
A unidade latino-americana foi a que mais contribuiu para as vendas e o lucro de 2010 da companhia, sediada em Londres. A cervejaria, com marcas como a Cusquena e a Aquila na região, divulgou um crescimento de 11% no lucro antes dos juros, impostos e amortização, superando a Europa, ficando um pouco atrás da média de 12% do grupo. Os volumes das cervejas lager ficaram no mesmo nível do ano anterior.

A SABMiller vem se concentrando no plano de acessibilidade na Colômbia, Honduras e El Salvador, vendendo cerveja em garrafas maiores e preços ligeiramente mais baixos, para atrair consumidores em bares, ou vendendo pacotes de latas para serem consumidas em casa, estratégia que até agora tem sido bem sucedida. A companhia manteve sua meta de crescimento da margem de lucro de 60 pontos-base para 100.

O volume de bebidas vendido na Colômbia em 2010, depois que o governo do país aumentou o imposto sobre valor agregado da cerveja de 3% para 10%, em fevereiro, levando a SABMiller a aumentar seus preços. Enchentes no país também afetaram as vendas. A companhia disse que a Colômbia responde por mais de metade de suas vendas na região. Com a melhoria do tempo, houve um crescimento de dois dígitos nas vendas no país, segundo Lippert.

A companhia prevê que o PIB da América Latina vai crescer 4,8% entre 2010 e 2015, numa taxa anual composta, em linha com seus mercados africanos e mais que o crescimento esperado para suas unidades na América do Norte, África do Sul e centro e leste da Europa.
Os países latino-americanos onde a SABMiller opera têm consumo médio anual de bebidas alcoólicas de 38 litros por pessoa, ante 77 litros na América do Norte.
Em novembro, a SABMiller comprou a Cerveceria Argentina Isenbeck, a terceira maior fabricante da Argentina, entrando num mercado dominado pela Anheuser-Busch InBev, a maior fabricante do mundo. A integração foi difícil no começo, mas se normalizou com a boa equipe local, disse ontem Rob Priday, presidente da unidade peruana da companhia.

FONTE: VALORONLINE